Índio Kanakuru Kuruah: raízes, brega e cultura no DOL Music!

Publicado em 25/09/2026

O cantor Índio Kanakuru Kuruah leva sua ancestralidade, identidade e representatividade indígena para o público paraense. O artista acaba de lançar no DOL Music, plataforma de música do DOL, o single “Índia”, uma canção embalada pelo brega raiz e que faz parte do trabalho desenvolvido pelo artista.

Com uma sonoridade marcada pelo romantismo e pelo ritmo dançante, “Índia” remete ao tradicional baile da saudade, daqueles que convidam o público a dançar coladinho. O brega ocupa um espaço importante na identidade musical paraense. O gênero tradicional se consolidou em Belém a partir da mistura de influências caribenhas, como bolero, calipso, merengue e cúmbia, além de elementos de ritmos como twist, rock and roll e iê-iê-iê. Ao longo das décadas, o estilo ganhou força, passou pelas festas e aparelhagens e se tornou uma das expressões mais marcantes da música popular do Pará.

SIGNIFICADO

De autoria do próprio artista, a música “Índia” tem um significado especial para Índio, pois foi uma das canções que marcou o começo dessa nova fase de sua trajetória. “A música surgiu simplesmente de uma ideia que eu estava pensando e que depois fui colocando no papel, até transformar aquele pensamento em música. Foi uma composição que nasceu dessa vontade de escrever e colocar para fora aquilo que estava passando pela minha cabeça. Ela fala da saudade da mulher amada e do sentimento de um homem apaixonado que clama por um reencontro com a índia, personagem principal da canção”, disse.

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PRODUÇÃO

O single “Índia” foi produzido no estúdio da Banda Kapricho, onde ocorreu todo o processo de gravação e produção da música. “A história da gravação de “Índia” aconteceu de uma maneira que eu mesmo não esperava. Eu fui para o estúdio acompanhado do cantor Marinheiro do Brega, mas, naquele primeiro momento, eu não estava indo com a intenção de gravar uma música. Eu queria apenas conhecer o estúdio e ver de perto como era esse processo, como funcionava uma gravação.”

Apesar de a gravação ter acontecido por acaso, de forma despretensiosa e em meio ao nervosismo, o cantor não deixou o momento passar e aproveitou a oportunidade. “Quando cheguei lá, acabei cantando “Índia”. O Fabinho, que é irmão do Frankito, gostou da música e falou para mim que dava para gravar. O Frankito é o dono do estúdio. Naquele momento, eu fiquei meio nervoso. Eu até perguntei: “Será que dá para gravar?”. Eu dizia para eles que nem sabia cantar. Para mim, aquilo parecia uma coisa muito distante, porque eu estava ali mais por curiosidade, querendo saber como era uma gravação, e, de repente, estavam me dizendo que eu poderia registrar uma música”, explicou.

O desafio de superar o nervosismo e o esforço para continuar valeram a pena e, enfim, o projeto musical foi gravado. “O Frankito me tranquilizou e disse que dava para gravar, explicando que, depois, no computador, era possível fazer os ajustes necessários e corrigir os erros. Aquilo me deu coragem e eu não pensei muito. No dia seguinte, voltei ao estúdio para gravar. E aquele momento foi muito marcante para mim. Quando terminei e ouvi a gravação, eu me emocionei. Eu não conseguia acreditar que aquela voz que estava saindo no áudio era a minha própria voz. Foi uma sensação muito forte, porque eu tinha chegado ali sem saber exatamente o que iria acontecer e, de repente, estava ouvindo uma música gravada por mim.”

A experiência foi o pontapé inicial para que o artista continuasse investindo e criando novos projetos musicais. “Depois disso, passei cerca de quatro meses até gravar outra música. Quando voltei, gravei novamente. A partir daí, comecei a gravar praticamente todos os meses. O que começou de maneira tão simples, quase por acaso, acabou tomando uma proporção que eu não imaginava. Hoje, depois de aproximadamente um ano e meio, já estou com 13 músicas gravadas. Quando olho para trás e lembro que fui ao estúdio apenas para conhecer e ver como funcionava uma gravação, fico muito feliz de ver até onde essa experiência me levou”, destacou.

A gravação e a produção do single, mesmo não sendo algo planejado, ocorreram de forma positiva e marcaram um momento importante na trajetória do cantor. “As gravações aconteceram de maneira normal e tranquila. Não teve nenhuma situação diferente ou inusitada durante a produção, tirando o fato de eu ter ido para acompanhar um amigo e, no dia seguinte, saí de lá com minha música gravada. Mas, para mim, cada gravação acabou sendo especial justamente pela experiência de estar aprendendo e vivendo uma coisa que, no começo, eu nem imaginava que faria. A primeira gravação, principalmente, ficou marcada pela emoção de ouvir minha própria voz pela primeira vez em uma música gravada”, disse.

MENSAGEM

Índio deseja que sua canção possa incentivar as pessoas sobre a importância de correr atrás dos objetivos e ter mais atitude para conseguir o que almejam. “A mensagem que quero passar é muito ligada à atitude. Eu estava cansado de ficar somente pensando e esperando pela “Índia”. Chega um momento em que a gente precisa parar de esperar e tomar uma atitude. Foi daí que veio essa ideia de correr atrás para encontrar a Índia. Para mim, existe uma diferença entre ficar apenas esperando alguma coisa acontecer e tomar a decisão de ir atrás daquilo que se quer. É esse sentimento que quero transmitir através da música: não ficar somente esperando, mas procurar, correr atrás e tentar encontrar aquilo que você deseja”, afirmou.

DOL MUSIC

Para o cantor, o DOL Music representa uma porta de entrada para que seu trabalho possa alcançar mais pessoas e ampliar sua carreira. “O DOL Music representa visão, reconhecimento e sucesso. É a voz que todo artista precisa para se sentir valorizado. Para mim, ter a oportunidade de divulgar a música através de uma ferramenta como essa significa poder mostrar o trabalho para mais pessoas e fazer com que aquilo que a gente produz possa ser visto e conhecido. Depois de todo esse caminho, desde a primeira gravação até chegar às 13 músicas gravadas, o reconhecimento é algo que tem um significado muito importante. A gente trabalha, grava, coloca sentimento naquilo que está fazendo e espera que as pessoas possam conhecer e valorizar esse trabalho”, declarou.

HISTÓRICO

Natural de Belém do Pará, com passagem por Cametá, Índio Kanakuru Kuruah construiu sua relação com a música de uma maneira muito particular. Antes de qualquer gravação, sua principal forma de expressão sempre foram as letras. Compositor desde 1977, ele transformou pensamentos, sentimentos e inspirações em versos ao longo de quase cinco décadas.

A primeira letra foi escrita em 1977. Desde então, não parou mais de compor. Ao longo dessa trajetória, estima ter escrito aproximadamente 500 letras, muitas delas guardadas durante anos como registros de pensamentos e sentimentos que surgiam em seu caminho.

Durante muito tempo, porém, essas composições permaneceram apenas no papel. Ele conta que costumava descartar muitas das letras por acreditar que não teriam utilidade naquele momento. A partir dos anos 1980, passou a reunir suas composições em um caderno, onde guardava sua produção.

Esse caderno acabou sendo entregue a outra pessoa e, segundo acredita, foi destruído. Com ele, perdeu-se uma parte significativa das letras que havia escrito ao longo dos anos.

Depois disso, Índio deixou de pensar na possibilidade de gravar suas músicas. As composições continuaram fazendo parte de sua vida, mas a ideia de vê-las transformadas em gravações parecia cada vez mais distante.

Até que, há aproximadamente um ano e meio, surgiu uma oportunidade inesperada. Por acaso, aquilo que durante décadas havia existido apenas como composição começou a ganhar voz e forma de música gravada.

A primeira experiência aconteceu de maneira espontânea. Índio foi ao estúdio acompanhado do cantor Marinheiro do Brega, inicialmente com a intenção de conhecer e entender como funcionava uma gravação. Durante a visita, cantou uma de suas composições. O Fabinho, irmão do Frankito, gostou do que ouviu e sugeriu que ele gravasse.

O convite despertou nele uma mistura de surpresa e nervosismo. Com a simplicidade e a humildade que fazem parte de sua maneira de enxergar a própria trajetória, chegou a perguntar se realmente seria possível gravar uma música. Frankito, dono do estúdio, o tranquilizou e explicou que a gravação poderia ser trabalhada posteriormente.

No dia seguinte, Índio voltou ao estúdio e gravou.

Quando ouviu o resultado pela primeira vez, a emoção tomou conta. Ele conta que ficou impressionado ao ouvir a própria voz registrada em uma música e teve dificuldade para acreditar que aquele resultado vinha de uma composição sua.

Aquela primeira experiência abriu uma nova porta. Depois de quatro meses, voltou ao estúdio para gravar outra música. A partir daí, passou a registrar novas composições praticamente todos os meses.

Hoje, aproximadamente um ano e meio depois, já são 13 músicas gravadas. Índio, no entanto, não se apresenta com a postura de quem pretende ocupar um lugar que não considera seu. Pelo contrário: fala sobre sua relação com a música com muita simplicidade. Ele não se define como um cantor de shows ou alguém que vive da rotina de apresentações. Sua relação com a música está principalmente na composição e na interpretação das próprias letras.

“Só canto as minhas composições”, explica, em uma demonstração da humildade com que encara esse novo momento.

Ele também afirma que nunca teve uma formação musical ou conhecimentos técnicos sobre música. Por isso, olha para tudo o que está acontecendo com uma mistura de surpresa, gratidão e milagre. “Acho que, para mim, foi um milagre eu estar gravando.”

Essa maneira humilde de falar sobre si mesmo, porém, não diminui sua trajetória. Pelo contrário. Revela o quanto é especial para ele ver suas composições, que durante tantos anos ficaram guardadas, finalmente encontrando espaço para serem ouvidas.

Para Índio, compor é uma forma de expressão que vem de dentro. Ele conta que costuma se inspirar em algumas pessoas para escrever suas letras, seguindo aquilo que sente e o que chama de orientação do próprio coração.

É justamente por isso que sua relação com a música ultrapassa a ideia de simplesmente gravar canções. Para ele, trabalhar com música deve ser um ato de amor pela cultura.

Essa ligação com a cultura também está diretamente relacionada à sua identidade paraense. Natural de Belém do Pará e com vivência em Cametá, Índio nunca colocou os pés fora do Pará. É na própria terra que reconhece suas raízes e de onde vem grande parte de sua identificação. “Eu amo a minha amada terra Belém do Pará.”

Sua trajetória artística também passou pela televisão e pelo rádio. Há cerca de oito anos, foi convidado pelo Tititica para participar do programa “Taquáquá”, da TV Grão Pará, onde integrou a atração com o personagem Dr. Caneco.

Posteriormente, Tititica o convidou para fazer porta de loja. Foi nesse período que Índio criou o personagem de índio, que recebeu o nome de Índio Kanakuru.

Com o passar do tempo, Ary Santos o viu pela internet e o convidou para participar de um programa de televisão. Atualmente, o trabalho também está presente na Rádio Estação Paid’Égua.

Sua história com a música, entretanto, começou muito antes dessa nova fase de gravações. Há aproximadamente 30 anos, duas de suas composições foram gravadas por Carlos Rennê: “Não Quero Te Perder” e “Desilusão”. Depois disso, as gravações não tiveram continuidade e Índio deixou de pensar na possibilidade de registrar suas próprias músicas.

Décadas mais tarde, de maneira inesperada, a oportunidade voltou a aparecer.

Hoje, depois de tantos anos escrevendo, descartando, guardando e perdendo letras pelo caminho, ele finalmente vê suas composições ganharem voz. São 13 músicas gravadas em aproximadamente um ano e meio, resultado de uma nova fase que ele mesmo não esperava viver.

E é justamente aí que está uma das características mais marcantes de Índio Kanakuru Kuruah: a humildade com que encara uma trajetória que, para ele próprio, parece extraordinária.

Ele prefere não se colocar como alguém que domina a música ou como um artista que sempre sonhou com os palcos. Sua história é outra. É a história de um compositor que escreve há décadas, que encontrou inspiração nas pessoas e nos sentimentos e que, quase sem esperar, teve a oportunidade de transformar suas letras em canções.

Por isso, quando fala sobre sua trajetória, resume tudo de uma maneira simples e muito própria: “Eu me considero um milagre da música”, disse.

Depois de quase 50 anos desde a primeira letra, aquilo que um dia parecia, para ele, não servir para nada hoje está sendo gravado, divulgado e ouvido.

Para Índio Kanakuru Kuruah, talvez esse seja justamente o maior significado dessa caminhada: descobrir que aquelas letras que um dia ficaram esquecidas ainda tinham algo a dizer.

COMO PARTICIPAR

Os artistas interessados em integrar o DOL Music devem encaminhar um release com informações sobre a trajetória musical, detalhes da música ou do videoclipe inscrito e fotos em alta resolução para divulgação.

No caso dos videoclipes, o material deve ser inédito, produzido em formato Full HD (1920×1080) e enviado em extensão MP4. Também é necessário encaminhar dois vídeos adicionais: um com duração mínima de um minuto e 30 segundos para publicação no IGTV e outro de até 30 segundos destinado à divulgação nas redes sociais.

Os materiais devem ser enviados para dolmusicrba@gmail.com e serão avaliados pela equipe de jornalistas responsável pela curadoria dos conteúdos.

A participação é gratuita. Cada artista selecionado terá direito à divulgação do trabalho e à publicação de conteúdos nas plataformas do Grupo RBA, incluindo matérias especiais nos veículos de comunicação do grupo.

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Com dois lançamentos mensais, o DOL Music segue abrindo espaço para novas vozes, diferentes estilos e artistas que desejam transformar a própria música em uma ponte para chegar a novos públicos.

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