O desafio do trabalho depois dos 60 anos
Publicado em 03/07/2022
O
preconceito ainda é um entrave considerável para a contratação de profissionais
acima de 50 anos de idade, independente, inclusive, do grau de experiência que
eles possam ter acumulado ao longo da vida. Com a população do país
envelhecendo de forma bem acelerada, porém, a adoção de medidas que comecem a
rever esse cenário e mudar essa cultura se torna urgente.
O fundador e
CEO da Maturi, plataforma que reúne oportunidades de trabalho e capacitação
profissional e empreendedora a pessoas com 50 anos ou mais, Mórris Litvak
considera que as pessoas com mais de 50 anos sofrem um preconceito ainda muito
forte no mercado de trabalho em função da idade. “Existe um preconceito em
função de estereótipos, que ainda é muito forte na nossa cultura, de que os
mais velhos não estão aptos a muitas coisas, de que não estão atualizados, que
não sabem mexer com tecnologia, que não são tão ágeis quanto os jovens, que são
muito fechados a novidades ou que são muito caros por serem mais experientes”,
considera. “Isso acaba sendo um senso comum que, às vezes, está no inconsciente
de quem contrata profissionais e que acaba preferindo jovens sem parar para
pensar”.
EQUÍVOCO
Mórris alerta
que, na verdade, é um grande erro generalizar dessa forma, já que essas
condições e características dependem de cada pessoa, independentemente da
idade. Existem jovens que, por exemplo, podem não estar atualizados em relação
às novidades. “Toda a questão da modernização, do uso de tecnologia no local de
trabalho e da transformação digital acabou reforçando essa visão de que é
preciso ter mais jovens”.
Segundo o
especialista, quanto mais idade a pessoa tiver, os efeitos desse preconceito
podem ser ainda maiores. Mórris explica que a Maturi concentra suas ações em
pessoas 50+ porque foi possível perceber, através de pesquisas e estudos, que
aos 50 anos as pessoas já ficam praticamente invisíveis para o mercado de
trabalho, mas isso pode começar antes e, em muitos casos, se torna mais intenso
com o avançar da idade. “As mulheres, por exemplo, sofrem o etarismo mais cedo
do que os homens, mas pessoas com 60 a 70 anos é realmente quase impossível
porque esse preconceito vai ficando mais forte com pessoas ainda mais velhas”.
Para superar
esse preconceito, o especialista aponta que não há milagre. É necessário muita
informação e educação para avançar nesta demanda. “Tem que conscientizar as
empresas, principalmente passando pelas lideranças, e sensibilizando elas sobre
o tema, mostrando que tem uma questão social muito importante de inclusão e
representatividade, já que hoje 26% da população brasileira tem mais de 50
anos”, considera. “Mas, também, é preciso mostrar que há uma questão
estratégica importante para o negócio, que é a o fato de a força de trabalho no
Brasil estar envelhecendo de forma rápida, então, empresas não vão poder ficar
só recrutando e retendo jovens. Além disso, tem toda a diversidade de ideias e
pontos de vista que equipes multigeracionais trazem, já existem estudos
comprovando que isso é muito positivo para a empresa”.