Fotógrafo baleado por PM recebe alta e fala como foi o crime

Publicado em 29/07/2022

Depois de dois dias
hospitalizado, o fotógrafo Êxodo Happy de Jesus Santos, conhecido
profissionalmente como Júnior Hoffmann, recebeu alta, após se recuperar de
um tiro que sofreu em uma discussão com um policial militar, na Cidade Nova IV,em Ananindeua, na última terça-feira (26). A dificuldade
para se locomover é grande e não é para menos. O tiro de pistola .40 entrou e
saiu na sua coxa direita.

Em entrevista à reportagem da RBATV,
ele contou que viu a discussão entre o cabo da Polícia Militar, Paulo Fernando
Fonseca da Silva, e a ex-companheira, mas que o desentendimento entre os dois aconteceu
depois que o militar o ofendeu com palavras racistas.

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“Eu estava passando e vi
eles discutindo. A moça que conheço só de vista pediu ajuda, mas acabei nem
parando. Minutos depois, ele passou de moto ao meu lado e tentou justificar e
falei que ele estava errado em agredir a mulher. Foi então que ele me ofendeu
dizendo que errado era o meu cabelo com “dread” e fedorento. Foi então que eu
voltei para me defender. E o PM saiu da moto, sacou a arma. Eu tentei correr e
mesmo assim ele atirou. Foi quando caí”, contou Hoffmann.

Segundo a vítima, durante toda
a ação Paulo Fernando estava com o filho de quatro meses no colo. Dois tiros
foram efetuados contra Júnior e em seguida ele teve a arma apontada para o
rosto.

“Foi tudo muito rápido. O
segundo tiro atingiu o carro de um vizinho e eu fiquei no chão. O policial se
aproximou, olhou no meu olho e apontou a armas para minha cara. Só senti medo
na hora, coloquei a mão no rosto e foi que todos gritaram para ele não atirar
de novo”, completou Hoffmann.

O Policial Militar se
apresentou na delegacia de crimes funcionais na última quinta-feira (28) e
prestou depoimento. O caso será investigado pela Polícia Civil e também pela
corregedoria da Polícia Militar. O Ministério Público já tem conhecimento da
situação e deve acompanhar o processo.

O cabo Paulo Fernando Fonseca
da Silva foi afastado das funções externas e agora faz parte dos serviços
administrativos. No corpo de Júnior Hoffmann, as marcas da queda e o
entendimento de que só não foi morto porque vizinhos gritaram para que o
acusado não atirasse.

“Foi terrível e pensei
mesmo que eu ia morrer por defender minha raça. É triste e esse medo só
aumentou ainda mais. Depois de tudo isso, eu desmaiei. Agora em casa só espero
que tudo isso passe, mas que a justiça seja feita.”, finalizou.

 











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