Adorno indígena não é fantasia! Secretaria conscientiza foliões

Publicado em 28/02/2025

Sinônimo de festa, gargalhadas e encontros entre amigos, o carnaval é esperado o ano inteiro por muitas pessoas. E para celebrar um momento como esse, normalmente as fantasias são alguns dos símbolos que atraem foliões e chamam a atenção nas avenidas e bloquinhos. Mas para se fantasiar também é necessário ter consciência, respeito e reflexão.

“Nunca fomos uma fantasia e as pessoas não devem fazer uso indevido do que é nosso”, afirmou Luiz Xipaia, liderança indígena, ao ser questionado sobre o uso indevido de adornos considerados sagrados pelos povos indígenas em festas de carnaval.

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Ainda comum no aspecto de adereços, muitos utilizam cocar ou grafismos indígenas, que remetem a uma suposta homenagem aos povos originários, mas é um erro pensar assim. O nome disso é apropriação cultural.

Se tratando de estereótipos, nesse momento de festa, os foliões precisam celebrar com respeito e de maneira consciente. Grafismos, por exemplo, para os povos indígenas, simbolizam profundos significados espirituais e ancestrais. E não são fantasias.

Consciência

Para Luiz Xipaia, Coordenador do Centro Leste do Pará, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), os foliões devem ter consciência de que símbolos sagrados não são fantasias.

“Nesse período de carnaval usam esses adornos como se fossem enfeites corporais. Cocares usados como vestuário e até tapa-sexo. Um cocar representa a nossa força, nossa liberdade, nossa etnia, por exemplo”, disse.

Além disso, os grafismos indígenas, que costumam ser feitos de jenipapo e carvão – para tonalidades pretas – e urucum – tonalidades vermelhas – não são feitas sem um objetivo ou sem menção a alguma espécie de proteção espiritual, ou de característica de um povo.

Luiz reforça que cada traço desenhado no corpo representa uma tradição milenar, ancestral, que remete à proteção, com especificidades de cada povo, região, tradição e características de uma determinada etnia.

“Fazer pinturas indígenas não é um borrão, um rabisco. O grafismo representa nossas florestas, nossas raízes. Esperamos que neste carnaval as pessoas possam respeitar a diversidade dos povos indígenas, não como fantasia, mas sim, entender que isso faz parte do corpo de determinado povo, com suas peculiaridades. Nós nunca fomos uma fantasia e as pessoas não devem fazer uso indevido do que é nosso”, disse.

Sexualização de adornos indígenas

E não somente no contexto geral das festas carnavalescas, as mulheres têm sido usadas como objetos de sexualização e com uso de adornos indígenas.

Para Letícia Lima, gerente da Coordenação de Proteção Territorial e Promoção do Bem Viver dos Povos Indígenas da Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi), é importante que atos como esse sejam usados em campanhas de conscientização dentro da sociedade.

“É um grave problema se ‘fantasiar’ dessa forma, pois reforça estereótipos e preconceitos que ignoram a diversidade de etnias, tradições e culturas, como a sexualização feminina e transformando o sagrado em mercadoria. Deve-se investir na conscientização política de que a fantasia traz prejuízo aos povos indígenas, especialmente às mulheres. E é neste cenário, que nós, enquanto Secretaria dos Povos Indígenas, veementemente, repudiamos tais atos”, reforçou.

A titular da Sepi, Puyr Tembé, ressalta que além de um momento de festa, o carnaval também pode ser um evento de conscientização sobre a crise mundial climática e a importância do apoio às causas indígenas pela luta da preservação da natureza.

“Queremos uma sociedade com respeito e que o carnaval seja também um momento de reflexão sobre as crises climáticas que enfrentamos. Precisamos que esse momento de diversão também seja um momento de conscientização, não somente para o uso indevido do que é sagrado para os povos indígenas, mas também de apoio às causas ambientais e dos povos indígenas”, finalizou.


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