13º do INSS pode injetar cerca de R$ 100 milhões no comércio de Belém

Publicado em 01/09/2026

O pagamento do 13º salário do INSS aos novos beneficiários de 2026 pode injetar cerca de R$ 100 milhões na economia da Região Metropolitana de Belém (RMB) nos meses de novembro e dezembro, período marcado pela Black Friday e pelas compras de Natal. A estimativa é do economista João Cláudio Tupinambá Arroyo, que calcula que mais de 150 mil pessoas possam ser diretamente beneficiadas caso a média nacional de distribuição dos recursos se repita na região.

O recurso extra deve chegar ao consumidor justamente em um dos períodos de maior circulação de dinheiro no comércio. Para Arroyo, que é professor doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente Urbano, mestre em Economia e pró-reitor de pesquisa da Unama, o pagamento representa “uma injeção complementar de recursos no comércio, incluindo serviços”, somando-se ao impacto nacional do abono anual, que, em 2026, já movimentou mais de R$ 78 bilhões na economia brasileira.

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QUANTO DINHEIRO PODE CHEGAR À REGIÃO?



A Região Metropolitana de Belém tem aproximadamente 2,54 milhões de habitantes e ocupa a 14ª posição entre as maiores regiões metropolitanas do Brasil em população. Como não existem dados específicos sobre o valor destinado aos novos segurados da RMB, a estimativa apresentada pelo economista é baseada na média nacional.

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“Não há dados específicos disponíveis, mas se a média nacional se reproduzir na RMB, estimamos que teremos uma injeção financeira que deve beneficiar diretamente mais de 150 mil pessoas, na ordem de 100 milhões de reais”, explica.

Na avaliação do especialista, o dinheiro representa uma oportunidade importante para a economia local, especialmente por chegar em um momento de forte demanda. “Sem dúvida se trata de mais uma oportunidade de fortalecimento da economia local”, afirma.

COMÉRCIO DEVE SENTIR EFEITO DO DINHEIRO EXTRA

Uma das principais consequências esperadas é o aumento do consumo durante o fim do ano. Para Arroyo, a combinação entre o pagamento do benefício e o calendário comercial favorece uma rápida circulação dos recursos. O pagamento em parcela única para quem entrou após maio coincide exatamente com a Black Friday e as festas de Natal”, destaca.

Segundo ele, o dinheiro tende a ser direcionado principalmente para “o setor de serviços, varejo e consumo de bens não duráveis, como alimentação e presentes”. A expectativa, portanto, é que comerciantes e prestadores de serviços possam receber parte desses recursos já nas primeiras semanas após a liberação.

BENEFICIÁRIOS DEVEM PRIORIZAR CONSUMO E DÍVIDAS

O valor recebido pelos novos segurados será relativamente limitado, o que também influencia a forma como o dinheiro deverá ser utilizado. Pela faixa etária mais alta dos beneficiários, pela renda média da quase totalidade ser baixa e até pelo montante a ser pago, de 400 a 950 reais, o impacto será no consumo do dia-a-dia ou quitação de pequenas dívidas”, explica o economista.

Na avaliação dele, três situações econômicas devem predominar. A primeira é o estímulo ao comércio de fim de ano, provocado pela coincidência do pagamento com a Black Friday e o Natal.

A segunda é o alívio financeiro das famílias, especialmente em municípios onde os benefícios previdenciários têm peso importante na economia. A terceira é a quitação de dívidas, já que parte dos novos segurados pode utilizar o dinheiro para reduzir contas acumuladas.

“Parte significativa desses recursos tendem a ser usada pelos novos segurados para o pagamento de contas acumuladas, reduzindo os índices de inadimplência no mercado consumidor”, afirma.

DINHEIRO PODE ESCAPAR DA ECONOMIA LOCAL

Apesar do potencial positivo, Arroyo faz uma ressalva: o simples fato de o dinheiro ser gasto não garante que ele permaneça circulando na economia de Belém.

Para o economista, é necessário estimular o chamado consumo local. “Sem que o consumidor seja informado – ou melhor, educado – das consequências financeiras e econômicas de seu ato de consumir, a única vantagem visível é o preço”, argumenta.

Ele explica que a escolha pelo menor valor nem sempre representa o melhor resultado para a economia da região. “O preço baixo muitas vezes leva o fluxo financeiro para fora da economia local e esconde outros custos”, afirma.

Entre esses efeitos, segundo Arroyo, estão a menor geração de atividade econômica, oportunidades de trabalho e novos empreendimentos. “Este tema deveria estar nas escolas, igrejas, sindicatos, associação de moradores etc.”, defende.

BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS TÊM PESO NA ECONOMIA

O economista também chama atenção para a importância dos benefícios previdenciários na economia de municípios brasileiros.

“Milhares de municípios brasileiros, inclusive os de pequeno porte, os benefícios previdenciários movimentam mais a economia local do que o próprio Fundo de Participação dos Municípios (FPM)”, afirma.

Por isso, a chegada do 13º salário dos novos beneficiários pode ter efeito relevante, principalmente quando os recursos são gastos em estabelecimentos da própria região.

PAGAMENTO NÃO REPRESENTA GASTO EXTRA

Outro ponto destacado por Arroyo é que a liberação do 13º aos novos segurados não significa uma nova despesa inesperada para o governo federal. “Não haverá impacto no déficit público”, afirma.

Segundo o economista, o 13º salário já faz parte do orçamento anual da Previdência planejado para 2026. Dessa forma, o pagamento complementar realizado em novembro e dezembro não representa uma despesa extraordinária ou uma surpresa fiscal para as contas federais.

EDUCAÇÃO ECONÔMICA COMO DESAFIO

Além do impacto imediato do dinheiro do INSS, Arroyo vê no cenário uma discussão mais ampla sobre educação financeira e desenvolvimento econômico.

“Identifico uma contradição muito forte entre a propalação ao empreendedorismo e a completa ausência de preparação para que ocorra uma ampla realização de empreendimentos pelas pessoas”, afirma.

Para ele, a educação é fundamental para mudar esse cenário. “Aí também a educação é o ponto chave”, conclui.


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