Amor de fã: paraenses relembram histórias emocionantes com Netinho
Publicado Diário FMem 14/10/2026
Algumas músicas atravessam gerações. Outras se tornam parte da história de quem as escuta, acompanhando momentos felizes, amizades e lembranças que o tempo não apaga. Para Luanna Pinotti e Mônica Lisboa, duas fãs de Netinho, o cantor baiano representa muito mais do que os sucessos que marcaram a axé music: ele faz parte de suas próprias histórias de vida.
Moradoras de Belém, as duas acompanham a trajetória do artista desde a adolescência e guardam recordações de shows, viagens, encontros pessoais e situações que parecem ter saído de um sonho. Com a morte do cantor, aos 60 anos, as memórias ganharam um novo significado, marcado pela saudade e pela gratidão por tudo o que viveram ao lado da música dele.
Uma carta de 250 metros e um amor que virou tatuagem
A história de Luanna Pinotti com Netinho começou quando ela tinha apenas nove anos. Ao ouvir uma música do cantor pela primeira vez, passou a acompanhar tudo o que encontrava sobre ele na televisão e nas revistas. O interesse da infância se transformou em uma paixão que atravessou décadas.
Para ela, ser fã está ligado a sentimentos de identificação e pertencimento, além de experiências que compartilhou com a própria família. “Tudo que vivi (eu e minha família) e senti sendo fã dele me aproxima de mim mesma. É um abraço na alma”, conta.
Entre tantas lembranças, uma das mais curiosas aconteceu em 1996, quando Luanna decidiu demonstrar sua admiração de uma maneira nada convencional: escreveu uma carta de 250 metros para o cantor. O gesto se tornou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória como fã.
A paixão também a levou a acompanhar apresentações por diversas partes do Brasil. Antes de cada show, havia uma preparação especial, que muitas vezes começava ainda na chegada do artista ao aeroporto e continuava no hotel e nos bastidores. “Cada show era um borboletário no estômago. Eu me preparava muito”, relembra.
A música “Estrela Primeira (Amor, Eu Fico)” ocupa um lugar especial nessa história. A canção faz Luanna recordar sua primeira experiência no Bloco Pike, em Belém, e ajuda a manter viva a conexão com os momentos que viveu ao som do ídolo.
Uma frase que virou homenagem permanente
A ligação de Luanna com Netinho também ganhou uma marca física. O cantor tinha tatuada no antebraço a frase “Nada como viver”. Inspirada pelo significado dessas palavras e pela admiração que sente por ele, a paraense decidiu tatuar a mesma frase no pé.
Os dois chegaram a registrar a semelhança das tatuagens em uma fotografia, transformando o detalhe em mais uma recordação especial da relação entre artista e fã.
A notícia da morte, porém, trouxe uma dor difícil de descrever. Luanna conta que acompanhava o estado de saúde do cantor e tentava se preparar emocionalmente para a possibilidade de perdê-lo.
Ela estava em um local com pouco acesso à internet quando recebeu uma mensagem de Mônica Lisboa, também fã de Netinho. A fotografia enviada pela amiga não carregava, mas uma palavra escrita logo abaixo foi suficiente para que entendesse o que havia acontecido: “Ernesto”, nome de batismo do artista.
“Naquela hora foi como se tivesse recebido uma facada no peito”, relata.
Em meio a outras pessoas, sem conseguir demonstrar livremente a emoção, Luanna baixou a cabeça e chorou. Naquele instante, conta, pediu a Deus que recebesse o cantor com o mesmo amor com que ele havia sido acolhido tantas vezes pelos fãs.
Ao imaginar o que diria a Netinho hoje, ela encontra palavras que resumem a relação construída ao longo dos anos.
“Assim como você disse que vai levar o sorriso de cada fã, te digo que você vai continuar habitando o lugar mais seguro que existe para mim: o meu coração. Obrigada por tanto!”, declara.
Veja os registros:
Uma fã desde os 13 anos e uma noite inesquecível em família
Para Mônica Lisboa, a relação com Netinho começou aos 13 anos, quando o álbum Netinho Ao Vivo chegou acompanhado do sucesso “Milla”. A partir dali, as canções do artista passaram a fazer parte da trilha sonora de sua vida.
Hoje, aos 43 anos, ela soma cerca de três décadas de admiração, dezenas de apresentações acompanhadas e amizades que nasceram justamente dessa paixão pela música.
Uma das primeiras recordações aconteceu no aeroporto de Belém, quando tinha 14 anos e conseguiu tirar uma fotografia com o cantor. O encontro foi rápido, mas ficou guardado na memória e abriu caminho para muitos outros momentos.
Ao longo dos anos, Mônica acompanhou Netinho em apresentações no Carnabelém, no Bloco Pike, no Planeta Micareta e em outros eventos. Também viajou por diferentes cidades brasileiras para assistir aos shows, conhecendo pessoas com quem mantém contato até hoje.
Mas uma experiência em Belém ocupa um lugar especial entre todas essas lembranças: uma apresentação do cantor no Bar da Copa, que terminou com uma surpresa inesquecível.
Na ocasião, Netinho chegou à cidade com o desejo de apresentar seu novo DVD na casa de uma fã. Mônica, inicialmente, não acreditou que sua família pudesse ser escolhida para receber o artista.
Depois do show, porém, o cantor anunciou que seguiria para a residência de uma admiradora. Foi então que ela percebeu que o sonho realmente aconteceria.
Acompanhada de outros fãs, Mônica saiu do evento em uma van com o artista em direção à casa da família. Sua mãe, seus irmãos e suas cunhadas ajudaram a preparar a recepção.
“Foi inesquecível, foram quase duas horas da gente ali vivendo aquele sonho com nosso ídolo!”, conta.
A noite se tornou uma das lembranças mais preciosas de sua vida como fã, não apenas pela presença do cantor, mas também por ter compartilhado aquele momento com as pessoas que ama.
A viagem em que precisou disfarçar a emoção
Outra história curiosa aconteceu durante uma viagem para uma apresentação no interior de Sergipe. Mônica teve a oportunidade de viajar no ônibus da equipe do cantor e acompanhou o momento em que foram buscá-lo em casa.
Quando Netinho abriu a porta e entrou no veículo, ela precisou se controlar para não demonstrar toda a surpresa. “Eu quase não acreditei”, recorda, ao descrever a experiência como divertida e inusitada.
A fã também guarda fotografias, vídeos, autógrafos e uma coleção de CDs do artista. Entre os registros mais especiais está uma mensagem enviada por Netinho no dia de seu casamento, organizada com a ajuda da amiga Luanna.
A amizade entre as duas, aliás, também faz parte dessa história: além de compartilharem o amor pelo cantor, elas ajudaram a construir lembranças que vão muito além dos palcos.
“Não há Mônica sem Netinho”
Ao falar sobre a personalidade do artista, Mônica destaca que ele procurava manter uma relação respeitosa e saudável com os fãs. Segundo ela, Netinho conversava com o público e não queria que a admiração se transformasse em sofrimento.
O objetivo era proporcionar alegria por meio da música, algo que, para ela, conseguiu fazer durante toda a trajetória que acompanhou.
“Netinho sempre será sinônimo de alegria para mim. Eu fui muito feliz em seus shows e micaretas, com ele aprendi a ser fã, e sempre respeitando seu espaço, suas ideias! Amarei para sempre, ele faz parte da minha história, não há Mônica sem Netinho”, afirma.
A notícia da morte foi recebida com choro, mesmo diante da consciência de que o estado de saúde do cantor era delicado. No grupo de fãs, a informação chegou por meio de uma comunicação encaminhada pela assessoria do artista.
Depois do impacto inicial, Mônica recordou os momentos felizes que viveu e encontrou conforto na ideia de que o sofrimento dele havia terminado.
Também voltou a uma frase que, segundo ela, o cantor repetia ao longo dos anos: “Estar junto não é estar ao lado e sim do lado dentro”.
Para a pedagoga, as palavras traduzem a maneira como pretende conservar a presença do ídolo em sua vida.
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A música continua, e as lembranças também
Embora tenham vivido experiências diferentes, Luanna e Mônica compartilham algo em comum: Netinho não foi apenas um artista que admiravam de longe. Ele esteve presente em viagens, amizades, encontros familiares e momentos que ajudaram a construir suas próprias identidades.
A saudade agora acompanha essas recordações, mas não apaga a alegria que as duas associam às músicas e aos shows.
Se pudesse deixar uma mensagem ao cantor, Mônica agradeceria pelos momentos felizes e pela oportunidade de ter vivido uma história tão intensa como fã.
“Netinho, você deixou a minha vida ainda mais feliz, ter sido sua fã foi maravilhoso. Você disse que iria partir feliz e levaria o sorriso de cada uma de nós, saiba que segues para sempre em nossos corações, te amo para sempre!”, declara.
Entre a carta de 250 metros, a tatuagem compartilhada em significado, as viagens, os encontros e as apresentações inesquecíveis, as histórias das duas paraenses mostram que a relação entre um artista e seu público pode ultrapassar o tempo e a distância.
Para Luanna e Mônica, Netinho continuará presente nas canções que marcaram suas vidas, e nas lembranças que elas ainda terão para contar.
Veja alguns dos registros da fã com o artista: