Mistério de UFOs em Colares inspira livro de autora paraense
Publicado Diário FMem 07/09/2026
Quase cinco décadas após os misteriosos avistamentos de luzes no céu de Colares, no Pará, um dos episódios ufológicos mais conhecidos do Brasil ganha novos contornos na literatura. Em “Operação Colares”, a escritora paraense Luana Cruz transforma acontecimentos que marcaram a história da ilha em uma narrativa de ficção especulativa marcada por suspense, desaparecimentos, segredos familiares e mistérios que atravessam gerações.
Em 1977, moradores da ilha de Colares relataram aparições de luzes misteriosas no céu, episódios que chamaram a atenção das autoridades e levaram o Exército Brasileiro a realizar uma investigação na região. A operação, conhecida como Operação Prato, se tornou um dos casos mais emblemáticos da ufologia brasileira e, agora, serve como ponto de partida para a nova obra da escritora paraense Luana Cruz.
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Publicado pela Plataforma21, “Operação Colares” parte de referências históricas e da memória coletiva da região para construir uma história em que acontecimentos aparentemente sobrenaturais se misturam a dramas familiares e segredos guardados por décadas.
A protagonista da narrativa é Laila Rosário, que deixou Colares há dez anos e não planejava retornar à ilha. Um telefonema da avó, porém, faz com que ela volte à cidade para uma despedida. O que deveria ser uma visita breve muda completamente de rumo quando um pescador é encontrado ferido e carregando uma mensagem relacionada ao avô de Laila, Josué Rosário.
Josué desapareceu décadas antes depois de sair para o mar seguindo as misteriosas luzes vistas sobre Colares. Desde então, seu destino se tornou uma incógnita. Para alguns, ele morreu no oceano. Para outros, poderia ter sido vítima de uma suposta abdução. A família, no entanto, nunca conseguiu descobrir o que realmente aconteceu.
Ao investigar as pistas deixadas pelo pescador, Laila começa a perceber que a história de seu avô pode ser muito diferente daquela repetida durante anos pelos moradores da ilha. Ao lado de Elis Raiol, sua antiga melhor amiga, ela revisita documentos, cartas e registros deixados por Josué na tentativa de reconstruir os últimos passos do pescador.
A investigação, porém, revela que os mistérios de Colares podem ter explicações mais complexas e sombrias do que as teorias sobre visitantes extraterrestres. Aos poucos, Laila descobre que os acontecimentos envolvendo as luzes e os desaparecimentos da região podem estar ligados a segredos mantidos por pessoas da própria comunidade.
Enquanto novos episódios deixam os moradores em alerta, a protagonista se vê diante de uma história marcada por escolhas, perdas e relações capazes de transformar profundamente a vida de quem vive na ilha.
“Todas as pessoas nascem engenhosas, para se tornarem grandes heróis ou cruéis vilões. Só depende do que exercitam as pessoas mais próximas da gente”, diz um dos trechos que sintetiza os conflitos humanos presentes na narrativa.
Orgulhosa de suas origens nortistas, Luana Cruz é formada em Engenharia de Pesca e encontrou nas histórias dos pescadores uma das principais fontes de inspiração para sua produção literária. A autora acredita que algumas das narrativas mais marcantes surgem justamente das experiências e memórias compartilhadas por quem vive próximo aos rios e ao mar.
As histórias ouvidas durante a infância, especialmente aquelas contadas pela mãe, também ajudaram a construir o universo de “Operação Colares”. A relação da autora com o Pará e a Amazônia aparece ao longo da obra por meio da valorização dos pescadores, das comunidades ribeirinhas e dos laços que unem os moradores de um mesmo território.
Mais do que explorar um dos maiores mistérios ufológicos do país, o livro utiliza a ficção para discutir temas como luto, identidade, pertencimento, relações familiares e memória.
“Não somos lendas, não somos folclore, não somos estrangeiros: somos a vida que pulsa na raiz do país”, enfatiza a escritora.
Em “Operação Colares”, as luzes misteriosas que atravessam o céu da ilha dividem espaço com afetos mal resolvidos, conflitos familiares e segredos que permanecem vivos mesmo depois de décadas. A obra aposta na mistura entre investigação e elementos sobrenaturais para revisitar, sob uma nova perspectiva, um episódio que marcou a história do Pará.
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A leitura é indicada para quem se interessa por ufologia, mistérios inspirados em acontecimentos reais e narrativas ambientadas no Norte do Brasil, além de histórias que combinam suspense, relações familiares e os enigmas de um território marcado por memórias e mistérios.