“Nunca acordei feliz”: Padre Fábio de Melo fala sobre depressão
Publicado Diário FMem 16/10/2026
O Padre Fábio de Melo falou abertamente sobre sua luta contra a depressão crônica e os desafios emocionais que enfrenta no dia a dia. Em entrevista exibida nesta quinta-feira (15), no programa Sem Censura, da TV Brasil, o sacerdote relatou como a doença influencia sua disposição ao acordar e revelou que precisa adaptar a rotina para lidar com os altos e baixos emocionais. “Desde que eu me entendo por gente, eu nunca acordei feliz”, afirmou.
Durante a conversa, o religioso explicou que, mesmo quando está animado, cheio de planos e satisfeito com as atividades do dia anterior, seus sentimentos podem mudar ao despertar. Segundo ele, decisões que pareciam positivas à noite podem ser acompanhadas de arrependimento na manhã seguinte.
“Eu posso estar no melhor lugar do mundo, mas não acordo feliz. É meu, é uma sombra que eu levo, e eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha criatividade”, refletiu.
O padre também destacou que tarefas aparentemente simples podem exigir um esforço maior de quem convive com a depressão. Apesar de se considerar uma pessoa entusiasmada e cheia de ideias, ele reconheceu que a condição interfere na maneira como começa o dia e encara os compromissos.
Assista
Padre Fábio de Melo fala sobre tratamento da depressão
Padre Fábio de Melo tornou pública sua luta contra a depressão crônica em 2018, após relatar que havia enfrentado uma crise depressiva grave no ano anterior. Desde então, o sacerdote tem compartilhado experiências sobre a convivência com a doença e os desafios do tratamento.
Na entrevista, ele explicou que a medicação teve papel importante na melhora de sua qualidade de vida, mas ressaltou que encontrar o equilíbrio adequado foi fundamental para preservar sua identidade e suas emoções.
“Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo para os outros. Já acordava felizinho, não tinha conflitos, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. E eu não quero isso”, contou.
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Segundo o religioso, encontrar a medicação e a dosagem adequadas permitiu lidar melhor com a depressão crônica, embora os desafios continuem presentes. Ele reconheceu que compreender as próprias emoções e respeitar seus limites faz parte do processo de convivência com a doença.
O relato reforça a importância de falar sobre saúde mental sem ignorar as dificuldades enfrentadas por quem convive com a depressão. A experiência de cada pessoa é individual, e o acompanhamento profissional pode ajudar na busca por qualidade de vida.