Rapaz com paralisia cerebral nada com os botos no Pará

Publicado em 08/07/2022

Quem já teve a oportunidade de
nadar ou manter algum tipo de contato mais próximo com os botos da Amazônia
compreende o motivo das lendas darem a estes animais um certo encantamento. De fato, é  algo mágico. E o Rodrigo Silva, de 37 anos, viveu essa experiência, recentemente. Com poucos meses de vida, ele foi diagnosticado com encefalopatia
crônica (paralisia cerebral). A doença afetou a coordenação motora e a fala.

 











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Acompanhado do irmão, Danilo Silva,
39, e da fisioterapeuta Raira Françoise, Rodrigo foi até Mocajuba, no nordeste
paraense, para conhecer e nadar com os botos que todas as manhãs visitam à orla
da cidade.

A empreitada funcionou como uma espécie de bototerapia, que é uma
técnica de terapia assistida por animais (TAA) que vem sendo desenvolvida pelo
fisioterapeuta Igor Simões Andrade, no Amazonas. Lá, Igor trabalha com o boto cor-de-rosa.

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A bototerapia tem seus fundamentos nos princípios físicos da água (empuxo,
pressão hidrostática, flutuação, entre outros), somado ao contexto lúdico que
traz a presença do boto para o tratamento de patologias como autismo, Síndrome
de Down e paralisia cerebral.

Raira destacou que ainda não
trabalha com a bototerapia, apenas fez o convite para Rodrigo e Danilo com o
intuito de observar como o paciente iria reagir. A ideia inicial foi meramente oferecer um lazer diferente. Os primeiros resultados foram, além
da felicidade no rosto de Rodrigo, ver como ele reagiu e se comportou durante a interação com os animais.

 











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“O Rodrigo faz acompanhamento
especializado na clínica onde trabalho. É assistido por três fisioterapeutas e
como eu sou de Mocajuba, fiz o convite. Acompanhei todas as etapas, desde a
entrada dele na água, até a forma que os botos se aproximaram”, explicou Raira.

A terapia assistida por animais vem
sendo cada vez mais adotada, principalmente em pacientes com depressão e
ansiedade. “É uma técnica muito ampla. Ajuda a diminuir a ansiedade e a depressão,
aumenta os níveis de endorfina, hormônio que ocasiona a sensação de bem-estar,
além de melhorar a capacidade, comunicação e a socialização”, destacou a
fisioterapeuta.

Medicina complementar; Além dos tratamentos convencionais

Danilo frisou que o irmão faz acompanhamento
com fonoaudiólogos, fisioterapeutas e também tem apoio pedagógico. “Isto tem
ajudado muito o desenvolvimento dele. Para você ter ideia, ele, antes, nem
sentava. Hoje, já fica sentado. Ele tem uma saúde muito boa, as limitações deles
são motoras”, destacou o irmão.

“Eu nem sabia da existência da
bototerapia. A Raira deu suporte e lá comentou deste tipo de tratamento. A
gente pode dizer que no caso com o Rodrigo, fluiu naturalmente. Quando ele viu
os botos tentou ‘bater palmas com os pés’ que é uma das formas dele
manifestar a alegria que sente”, contou Danilo.

Assista ao vídeo que a família compartilhou:    |

  

A fisioterapeuta espera que em
breve seja possível trabalhar com essa técnica no Pará. Ela já entrou em contato com Igor para obter mais informações sobre a pratica.

A área que os botos costumam aparecer em Mocajuba é chamada de Mirante do Boto. A visitação ao espaço e a
interação com os animais é monitorada pelo pesquisador Ricardo Calazans, que
presta orientações sobre como pode ser feita a interação entre humanos e botos.
Ele também acompanha a reprodução e o comportamento dos animais. A cantora Preta Gil já esteve no mirante.

Pelo menos 12 mamíferos da espécie Inia araguaiaensis (também conhecidos por botos vermelhos) foram catalogados. Eles chamam a atenção de feirantes, pescadores, consumidores e turistas, que não resistem a esta aproximação e acabam passando a manhã juntos.


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