Santa Casa do Pará realiza 50º transplante de fígado em adultos
Publicado Diário FMem 06/10/2026
A Santa Casa do Pará realizou a 50ª cirurgia de transplante de fígado em pacientes adultos, consolidando o serviço no Estado. O procedimento mais recente foi realizado na última semana e teve como paciente a recepcionista Cristiane Reni dos Santos, de 43 anos, moradora de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.
Cristiane se recupera bem da cirurgia e é acompanhada diariamente pela equipe médica na enfermaria. Quinta paciente a passar pelo procedimento desde a implantação do serviço, ela considera que o transplante representa uma nova oportunidade de vida. Para ela, a possibilidade só foi possível graças à estrutura criada para viabilizar a doação e os transplantes de órgãos no Pará.
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“Essa cirurgia me trouxe à vida, porque então eu só estava sobrevivendo, né? Eu estava numa situação bem triste mesmo. Às vezes pensava que não ia conseguir um doador. Mas Deus deu essa oportunidade, a gente fica alegre e fica triste também, né? Porque sabe que uma pessoa teve que perder sua vida para dar a sua para mim. Mas a vida é um encontro de oportunidades e renascimentos, e agora vamos em frente”, emociona-se Cristiane.
O pai da paciente, o aposentado Carlos Vidal, também considera o transplante uma conquista extraordinária diante da situação enfrentada pela filha. Segundo ele, a família viveu momentos de grande preocupação, especialmente depois da perda da esposa, há dois anos.
“Há dois anos atrás eu perdi minha esposa, e até cheguei a pensar que não estou preparado para perder minha filha. Mas aí Deus agiu e a coisa aconteceu. Hoje ela é uma nova vida, e graças a Deus e à família da pessoa que teve o bom senso de doar esse fígado para minha filha”, afirma Carlos.
Duas pacientes transplantadas na mesma semana
Além de Cristiane, outra paciente recebeu um novo fígado na mesma semana. Um dia antes do procedimento realizado na recepcionista, a aposentada Verônica da Silva Pereira, moradora de Belém, também passou pelo transplante na Santa Casa.
Após a cirurgia, Verônica comemora a recuperação e afirma que chegou a acreditar que não sobreviveria diante do comprometimento do fígado causado pela cirrose. Agora, ela celebra a oportunidade de continuar vivendo e agradece à família responsável pela doação.
“Até agora não tenho nenhum problema. Estou me sentindo bem. Pensei que eu nem ia sobreviver. Eu estava com o fígado completamente comprometido por cirrose. Mas, graças a Deus, eu ganhei mais uma chance. Estou muito alegre, agradeço a família que fez essa doação, que ela seja abençoada. Fiquem certos que uma parte dessa pessoa ainda está na terra”, declara.
A filha de Verônica, a dona de casa Dejanis Pereira de Lima, acompanha a recuperação da mãe e considera a realização do transplante um verdadeiro milagre. A família aguardava há anos pela oportunidade de realizar o procedimento e agora comemora a recuperação da aposentada.
“A gente vem aí há quatro anos lutando, e há dois esperando pelo grande dia para ela ser transplantada. E hoje vejo minha mãe viva e com a gana de viver. Eu só tenho a agradecer a Deus, ao doador e a equipe médica da Santa Casa. A importância é viver, né? E eu acredito que a importância de ser um doador é salvar vidas. Isso é muito importante para a gente, e é uma prova de amor ao próximo”, afirma Dejanis.
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Avanço do serviço
O cirurgião Rafael Garcia, responsável técnico pelo Transplante Hepático da Santa Casa, destaca que os dois procedimentos realizados na mesma semana envolveram pacientes em condições graves. Segundo ele, ambas apresentavam pontuação elevada na fila de transplantes e risco de morte em um período curto.
“São dois casos muito graves. Uma tinha uma situação especial, que é quando ganha pontos a mais por conta da gravidade. Tem uma taxa de mortalidade muito alta em um tempo curto. Em até seis meses, aí o Ministério da Saúde dá esses pontos para ter uma chance maior de ter um transplante”, explica o médico.
“E o outro caso também é um caso muito, muito grave, com uma pontuação alta na fila. Tinha um risco de óbito alto em um tempo curto e para a nossa sorte e sorte delas, duas famílias fizeram essa doação. E a gente conseguiu no mesmo dia fazer os dois casos”, completa Rafael Garcia.
A realização do 50º transplante também representa, segundo o cirurgião, uma mudança de patamar para o programa desenvolvido pela instituição. A marca indica maior experiência da equipe para lidar com procedimentos de maior complexidade.
“E aí a gente conseguiu finalmente atingir 50 transplantes, que é um marco importante no programa de transplante. A literatura mostra que a partir de 50 cirurgias, um centro de transplante já está apto a fazer os casos mais graves e complexos, que é a nossa situação agora”, afirma.
“E isso mostra uma maturidade, e a evolução da equipe toda e do hospital, para a gente conseguir ter esse resultado bom”, acrescenta o médico.
Além da quantidade de procedimentos realizados, Rafael Garcia destaca também a evolução no atendimento após as cirurgias. “As duas vão ter alta com menos de 10 dias. Isso também mostra uma maturidade do hospital na assistência do pós-operatório, para a gente conseguir esse desfecho”, comemora.